19 de nov. de 2014

Sobre notas e verdades inquietantes

Lendo a coluna Painel (Folha de S. Paulo) de hoje (19/11/2014), encontrei as seguintes notas:

Lupa - Michel Temer recebeu Henrique Alves (RN) e Eduardo Cunha (RJ) na segunda-feira na Vice-Presidência para discutir o impacto da nova fase da Operação Lava Jato sobre o PMDB. Passaram horas lendo o inquérito.

Eu não - O nome de Fernando Soares, o Fernando Baiano, surgiu mais de uma vez na conversa dos peemedebistas. O receio é que o lobista, preso ontem, detalhe suas ligações com o partido. Cunha e Alves negaram qualquer relação com Baiano.

Mesmo saco - Já a oposição, em reunião ontem, decidiu defender a convocação dos executivos presos na Lava Jato para tentar se distanciar do escândalo. O temor é que a crise resvale em PSDB e DEM, que também receberam doações das empreiteiras.”

Está bem claro. O PMDB do governo e PMDB da oposição (se é que isso existe) com “receio” que as ligações de um lobista sejam detalhadas. Os maiores partidos da oposição (PSDB e DEM) com “temor” que a crise gerada por um esquema de corrupção “resvale” em seus quadros. PT, PMDB e PP já tem quadros formalmente citados nas denúncias e delações.

Vamos supor que os líderes de algum desses partidos coloquem os interesses do Brasil acima dos interesses partido. Ou ao menos que queiram honrar o nome do partido ao qual decidiu filiar-se. Como agiria esse líder numa situação em que surgem suspeitas de corrupção envolvendo seus quadros? Seria ingênuo acreditar que esse líder imaginário abriria uma investigação interna para limpar o partido, independente do andamento das investigações dos órgãos estatais? Ou é mais ingênuo acreditar que esse líder existe em qualquer dos partidos atuais?

Ideologia? Só faria sentido se servisse para melhorar o ser humano ou a humanidade. Não serve para justificar meios ilegais de chegar ou manter-se no poder. Se para defender uma ideologia alguém aceita receber uma contribuição ilegal, ou a ideologia é ruim ou o partidário dela não merece ser defendido por seus pares. No fundo, o que acontece em todos os partidos é que os interesse dos cacique pelo poder é muito mais forte que qualquer demonstração de honestidade de seus simpatizantes.

É por isso que me recuso a defender um partido e me irrito com a subserviência de quem assim o faz. Já votei pensando em programa ideológico de um partido, mas os fatos me convenceram que esse tipo de pensamento funciona mais como cabresto eleitoral. Chega a ser ridículo ver gente inteligente caçando conspirações para se convencer que seu partido não fez o mal. Deveriam cobrar que seu partido apurasse a denúncia. Se agissem assim, provavelmente não permaneceriam apoiando o tal partido por mais que um ano. Hoje, meu voto é guiado pelo momento e não por siglas. Como, no Brasil, não há a figura do candidato independente...


É obvio que não dá para tomar como verdade tudo o que é publicado nos jornais, principalmente em colunas de notas. Muitas vezes os colunistas são utilizados, com ou sem anuência desses, para soltar um balão de ensaio ou para desafetos destilarem veneno contra adversários. Mas quando um comportamento é recorrente e o histórico dos citados combina com o conteúdo da nota, é mais fácil dar crédito ao repórter e a sua fonte. Quase sempre, esse é o caso na política brasileira. Em todos os partidos.